Consistência
Diz o dicionário que consistência é sinónimo de “constância de opiniões, comportamentos, etc; regularidade”. Dizem os entendidos das redes sociais que consistência é sinónimo de publicar duas a três vezes por semana (ou mais), para que não se esqueçam de nós.
Ouvimos dizer, a toda a hora e em todo o lado, que o nosso trabalho deve ser consistente.
Afinal, o que significa ser consistente? Como se alcança esse desejado patamar de consistência?
Na teoria, parece-me que implica disciplina, determinação e vontade. Pelo menos e com base na minha experiência pessoal, é assim que penso.
Antes de escrever, selecciono os temas e os assuntos. Penso nos interesses do meu público. Estruturo os conteúdos. Planeio com antecedência e até tenho um arquivo de textos prontos a publicar.
Como a grande maioria dos meus colegas e vizinhos, tenho um calendário com as minhas publicações agendadas. Tudo em nome da consistência.
Na prática, aprendi que ser consistente tem muito mais a ver com a nossa capacidade de adaptação.
Quando a internet não funciona. Quando a reunião demora mais do que o previsto. Quando a vida pessoal interfere. Quando saímos por uma hora e acabamos o dia todo na rua. Quando o cliente muda de ideias.
Quando decidimos fazer uma pausa. Quando a inspiração não aparece. Quando a vontade tira férias. E até quando a gestão de tempo e a gestão de prioridades não se entendem.
Nesses momentos, a consistência traduz-se no meu jogo de cintura para encontrar alternativas e fazer acontecer de acordo com as circunstâncias. O planeamento fica para segundo plano e moldo-me às exigências do meu dia.
Não posso publicar na Segunda-feira, publico na Terça-feira. Surgiu um tema mais interessante, escrevo sobre ele. Não se justifica, não publico. Não consegui publicar de manhã, passo para a tarde.
Para mim, ser consistente é entender e aceitar o que posso, consigo e quero fazer. A escrita é um processo dinâmico, tal como a consistência.