Desafio a quatro mãos

Estou a escrever uma história a quatro mãos. Na prática, estou a trabalhar com uma amiga num livro e juntas vamos contar a vida de uma marca. São mais de cem anos recheados de acontecimentos.

Quando a minha amiga me desafiou para o projecto, senti medo e curiosidade ao mesmo tempo. Aquele nervoso miudinho na barriga era o sinal para avançar. Talvez por isso tenha dito sim, sem pensar duas vezes.

Como ghostwriter escrevi dois livros, com protagonistas muito diferentes. Duas mulheres que queriam partilhar o seu percurso de vida: um mais pessoal e outro mais profissional.

Definida a estrutura, fiz as entrevistas que se revelaram mais conversas de amigas do que um guião de perguntas e respostas. Entre desabafos e gargalhadas, recolhi a informação necessária, interiorizei o tom (e a voz) e passei para o papel as palavras.

Só que para este livro o processo é diferente. Tudo é em grande. O número de anos, a quantidade de dados, a lista de personagens, os quilómetros que separam os vários cenários, as datas importantes e até as dificuldades para confirmar (ou não) os conteúdos encontrados.

Tem sido uma grande aventura dar forma ao projecto. Mas capítulo a capítulo, temos conseguido temperar a nossa escrita com uma pitada de história, uma mão cheia de factos e um toque de emoção.

À medida que as folhas em branco se enchem de palavras, aquela marca deixou de ser apenas mais uma marca. Para nós, ela já é a heroína de uma história, onde o passado, o presente e o futuro se encontram.

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