A estreia
“– Já podemos entrar, tia?
– Onde é que nos vamos sentar?
– Ainda falta muito para começar?
– Vou gostar, tia?”
Entusiasmo e receio, lado a lado. A excitação da novidade. É assim quando queremos muito uma coisa, mas não sabemos o que nos espera.
Levei o meu sobrinho ao teatro. Fomos ver ‘O Gato das Botas’. Ele já tinha ido com a escola, noutra ocasião. Mas era a estreia dele em peças ‘longas’ e para os miúdos mais crescidos: 75 minutos sem intervalo.
Eu também tinha as minhas próprias dúvidas. Iria ele aguentar? Iria ele divertir-se? Decidi arriscar e comprar os bilhetes. Sem experimentar nunca saberia as respostas.
E ainda bem que fomos. Adorámos a experiência. A atenção dele ao que se passava em palco foi constante, do início ao fim. Bateu palmas, riu com gosto e até interagiu com os actores. No final, o sorriso de alegria não enganava ninguém. E ele ainda me confirmou: “Gostei muito, tia.”
As incertezas e as inseguranças fazem parte da vida, pessoal e profissional. Quando aceito um projecto novo, sou visitada por todas elas com grande intensidade. Questiono-me e ponho em causa as minhas capacidades. Mas depois avanço, porque a vontade de experimentar, de criar e, sobretudo, de escrever é maior. No final, também eu sorrio de satisfação.
Pequenos e graúdos, todos sentimos aquele friozinho na barriga.