As eternas listas

A ideia era simples: experimentar uma receita nova de bolo. Estava enjoada e cansada de fazer sempre o mesmo. Precisava de mudar.

Não fui procurar na internet, nem nos livros na estante: “Não quero perder tempo em pesquisas. Vou directamente aos meus arquivos e escolho uma.” A tarefa revelou-se mais complicada do que eu previa.

Uma capa cheia de folhas com receitas, arquivadas ao sabor dos tempos.

Uma pasta no instagram cheia de posts com receitas, arquivados ao sabor do humor.

Uma pasta no computador cheia de receitas e links, arquivados ao sabor da vontade.

Claro que não me consegui orientar. Cada imagem parecia mais apetitosa do que a anterior. Cada descrição era mais aliciante do que a anterior. Decidir tornou-se uma ‘missão impossível’.

Resolvi focar-me no arquivo em formato papel, mas nem assim a selecção se tornou mais fácil. Entre bolos, tortas, tartes e pudins, a oferta era exagerada.

O tempo foi passando e dei por mim confusa, desmotivada e até frustrada. De repente, a minha receita de bolo para todas as ocasiões – a do costume – pareceu-me perfeita. Resignei-me e fui para a cozinha fazer o habitual.

Acumular informação não serve de nada se não formos capazes de a reunir e filtrar. Todos nós pesquisamos e guardamos imenso conteúdo na esperança de nos ser útil. Só que a realidade é bem diferente.

Aquela lista de links, referências, newsletters, livros e afins tem de ter um sentido.

Afinal, quando é que toda esta “inspiração” armazenada se transforma numa criação real?

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Parabéns, Palavras {q.b}!