Birras

Birras. Para comer a sopa. Para trocar de roupa. Para tomar banho. Para dormir. Para sair. Para vir para casa. Para quem lida com crianças, é uma realidade comum.

Assisti a muitas situações na rua, em restaurantes, em casa de amigos. Enquanto mera observadora, fiz o que (quase) todos fazemos: julguei sem conhecimento de causa. Segura, pensei para comigo: nunca permitiria tal comportamento.

Mas a vida troca-nos as voltas. Hoje, graças ao contributo dos meus sobrinhos, sei mais sobre birras do que gostaria. Como dizia a minha avó, mordi a língua.

A prática ensinou-me que as crianças não sou todas iguais e não reagem todas da mesma maneira. Uma birra pode ser sinónimo de sono, cansaço, fome, excitação, novas rotinas, falta de atenção ou até doença.

(Re)Agir a quente só piora. Contrariar, falar alto, virar as costas ou ralhar não resolve. A birra escala e o desgaste, nosso e dos mais pequenos, dispara. No final perdemos a paciência e instala-se a confusão.

Temos de manter a calma. Tentar identificar a causa e demonstrar o nosso apoio, sem apontar o dedo. Quando as crianças percebem que queremos ajudar, a comunicação volta a funcionar entre nós e elas.

Aos poucos, dei-me conta que as birras dos meus sobrinhos tinham muitas semelhanças com as “birras” dos meus clientes.

Também os clientes não são todos iguais. Muitas vezes, por trás de uma atitude mais emocional ou de maior frustração esconde-se uma razão. Partir do pressuposto que é um mero capricho ou teimosia é incorrecto da minha parte.

Ignorar, evitar ou até responder “curto e grosso” é ser irresponsável. Compete-me tentar compreender a situação e agir com ponderação. Uma conversa honesta é o primeiro passo.

Claro que não podemos controlar todas as variáveis e nem sempre somos correspondidos. Mas a experiência permitiu-me aprender com os erros e definir abordagens claras e consistentes.

Pequenos e graúdos, todos temos as nossas “birras”.

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Consistência