O meu cv de fracassos

Destacar as principais responsabilidades. Evidenciar as conquistas mais importantes. Priorizar as experiências mais relevantes. Dizem as regras que o currículo é uma montra do nosso melhor lado profissional.

Mas todo o lado bom tem um reverso. E tentamos, com muita força, ignorar, disfarçar ou esquecer o que não correu tão bem. Porquê? Se valorizamos as aprendizagens, também devíamos reconhecer os erros.

Por isso, hoje, apresento o meu currículo de fracassos. Projectos que não tiveram sucesso. Planos que não seguiram em frente. Ideias que saíram do papel para o caixote do lixo. Sem vergonha, aqui vai:

  • Estudei Jornalismo e Ciências da Comunicação, porque queria ser jornalista na área desportiva. Estagiei num jornal diário de desporto e percebi que a realidade era bem diferente. Venci algumas batalhas, mas não a guerra.

  • O grande objectivo era fazer tudo à primeira tentativa. Passei no exame teórico com distinção, mas no exame prático fui à segunda chamada. As ruas do Porto podem ser assustadoras e a carta de condução saiu mais dispendiosa.

  • Quando a Primavera chega, dedico-me à minha mini horta. Escolho sempre algumas variedades para experimentar. Beterraba amarela. Funcho. Pastinaca. Todos os anos provo a desilusão, no momento da (fraca) colheita.

  • Frequentei o British Council para aperfeiçoar o meu conhecimento da língua inglesa. Quando faltava apena 1 ano lectivo para concluir o percurso e atingir o último nível, parei e não me inscrevi. Prioridades mal geridas.

  • Adorava começar o dia com uma aula de Pilates. A disponibilidade da professora mudou e o meu horário não era compatível. Ainda não consegui encontrar uma solução.    

Preguiça. Tempo. Prioridades. Interesses. Receios. São várias as razões para explicar ou tentar justificar os meus fracassos. Lamento alguns, compreendo outros e até aceito a maioria.

À distância é mais fácil ver, como é sempre, que tiveram um papel relevante no meu crescimento, pessoal e profissional. Contribuíram, cada um à sua maneira, para a minha formação. Porque nós somos feitos de sucessos e fracassos.

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