Era uma vez…

Era a primeira vez que escrevia algo do género. Quando os pedidos de reunião e, posteriormente, de orçamento chegaram tive dúvidas. Não sabia se estava à altura do desafio, porque o grau de exigência era elevado.

Os meus serviços tinham sido indicados por alguém que conhece e confia no meu trabalho. Acreditava que era um projeto à minha medida. Não me convenceu logo, mas a cliente aceitou a proposta e avançámos.

Em tantos anos de escrita (mais de 15), produzi conteúdos sobre os mais variados temas e assuntos. Os meus textos foram impressos e publicados online. Criei ligações com diferentes públicos e audiências.

Do marketing ao imobiliário, passando pelo mundo das pedras naturais e dos acessórios em pele. Com longas estadias no desporto e na hotelaria. Como escritora fantasma ou como autora assumida, contei muitas histórias.

Mas esta era especial. As minhas palavras iam dar voz ao amor de uma pessoa. Tinha de passar para o papel os votos de casamento de uma noiva que queria surpreender o seu mais que tudo, no grande dia.

Ouvi-a com atenção. Cada memória era uma peça no meu puzzle. Concluída a primeira versão, comecei a editar. Mais vezes do que o habitual normal, porque sentia que o texto ainda não estava no ponto. Faltava qualquer coisa.

Reli as nossas conversas e descobri peças extra. As tais que faziam e fizeram a diferença. Enviei o texto e aguardei o feedback. O nervosismo era muito. Queria tanto que ela gostasse, mas havia o risco.

Quando li a resposta, senti-me (imagino) como o Cupido quando cumpre mais uma missão com sucesso. Tinha conseguido casar as minhas palavras com as emoções e os sentimentos da noiva.  

Escrever aquelas duas páginas foi, sem dúvida, um dos melhores momentos de minha vida profissional. Agora, já posso dizer que contei uma linda história de amor.

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