Ser escritora fantasma

“– Como é que consegues?

– Finges que és a pessoa?

– Não é estranho estar na cabeça do cliente?

– É difícil sentir o que as outras pessoas sentem?”

São exemplos das perguntas que os amigos e a família fazem quando trabalho como ghostwriter. Para eles é esquisito que eu escreva na primeira pessoa as experiências, as emoções, as opiniões e as ideias dos meus clientes 

Como escritora fantasma, escrevi livros e vários artigos para blogues. Contei histórias de vida, dei a conhecer pontos de vista de marcas e até expliquei conceitos de negócio. 

Confesso que não é um trabalho simples. Tenho de encontrar o tom e a voz certos, definir a linguagem adequada e só depois passar para o papel as palavras. Faço ajustes à medida que me familiarizo com o projecto.

O primeiro capítulo, o primeiro artigo e a primeira frase são sempre os mais difíceis. A informação está na minha cabeça, mas encontrar o fio à meada pode ser (e é) muito frustrante. 

Com o tempo e com a prática criei uma espécie de passo a passo que me ajuda.

  • Avaliar com atenção a informação.

Leio as entrevistas que faço aos meus clientes, sublinho o conteúdo mais importante e tomo notas. O que me permite deixar de lado o acessório e concentrar-me no que realmente tem valor. Ao reler, foco-me na selecção e começo a desenhar mentalmente a narrativa.

  • Fazer um rascunho manuscrito.

Quando tenho as principais linhas orientadoras definidas, escrevo numa folha em branco os tópicos que vou abordar. Na prática, faço um esqueleto do capítulo ou do artigo e coloco em (e por) ordem os meus apontamentos. Escrever à mão ajuda-me a tornar mais claro o conteúdo.

  • Encontrar o factor UAU.

É o passo mais desafiante. Juntar as peças do puzzle (ideias e estrutura) e descobrir a frase, o episódio ou o momento a partir do qual começo a escrever. Umas vezes, é óbvio, outras não. Mas se as duas etapas anteriores estiverem feitas, é mais fácil do que começar do zero.

Claro que cada projecto é único e adapto o meu passo a passo a cada contexto. Há clientes mais assertivos e há clientes mais “perdidos”. Por isso, esclareço as dúvidas, apresento as alternativas e justifico as escolhas. 

Gosto de ser uma escritora fantasma. 

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