Sobremesa

A sobremesa: a rainha do banquete. O doce é o final perfeito para uma saborosa refeição. Pelo menos para mim é.

Não sou especialmente gulosa, nem amante da doçura extrema. Mas adoro uma deliciosa fatia de tarte. Se for de maçã, ainda melhor e se estiver em boa companhia, óptimo. Uma bola de gelado (bem cremoso) de baunilha harmoniza com mestria. Afinal, até sou um pouco gulosa. Tem dias.

É curioso como aguardamos, a maioria de nós, pelo último capítulo do almoço ou do jantar. Pequenos e graúdos, a mesma ansiedade e desejo. Depois de saciarmos a fome e de alimentarmos as nossas necessidades, entregamo-nos ao puro prazer. É uma espécie de reconciliação com a alegria e a boa disposição. Um sorriso de contentamento ilumina o nosso rosto.

Também na escrita o final é a cereja no topo do bolo. Como leitora, gosto de ser surpreendida. E como escritora, gosto de surpreender. As boas surpresas acontecem quando os nossos desejos são correspondidos. Por sintonia ou por oposição. É nesse momento que somos invadidos por uma sensação única de satisfação. E sorrimos.

Uma boa sobremesa não é, obrigatoriamente, um bolo de três camadas com dois recheios e uma cobertura. Um simples bolo de cenoura pode seduzir muitos paladares. Um bom final não é, obrigatoriamente, o habitual mais do mesmo. Uma simples receita para escrever melhor pode seduzir muitos leitores.

O que é doce nunca amargou. Mas com um toque de criatividade e uma dose generosa de equilíbrio, sabe ainda melhor.

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Ser escritora fantasma