Inspiração

“– Tia, já preparei tudo para construirmos o nosso jogo da memória?

– Estou a ver que sim.

– Temos cartão, lápis de cera, marcadores e uma tesoura. E também trouxe estes livros para podermos procurar inspiração.

– E como é que isso funciona?

– É fácil. Vemos os desenhos, as cores e as formas dos livros para nos ajudarem a termos ideias e depois podermos desenhar. Assim, é mais fácil.”

Quando o mais novo me desafiou para o jogo da memória, parti do princípio que queria usar o exemplar habitual. Só que a ideia dele era outra: queria construir de raiz os cartões com imagens e cada um de nós tinha de criar 3 pares.

Ainda me estava a refazer da surpresa (ele não é muito dado aos trabalhos manuais), quando disse que também tinha arranjado fontes de inspiração. Afinal, precisávamos de toda a ajuda possível.

Apesar dos seus 8 anos, o meu sobrinho já percebeu que observar o que nos rodeia pode facilitar o acto de criar. Mesmo sem compreender na totalidade o conceito tão famoso nos dias de hoje, ele sabe que inspirar-nos é importante para o processo criativo.

Aqueles livros de histórias, para colorir e até para completar exercícios foram as nossas “musas”. O resultado? Um pouco de tudo: galinhas, árvores, taças, arco-íris, pokémons e planetas Terra. É que a imaginação não tem limites.

Entre desenhos, pinturas e recortes, divertimo-nos imenso. Criámos a nossa própria versão do jogo da memória. Criámos memórias.

Porque é esse o poder mágico da inspiração: “despertar” a nossa vontade de criar. Depois tudo se torna mais fácil e até mais simples.

Próximo
Próximo

A ponta solta