A ponta solta

Gosto imenso de escrever e adoro contar histórias. Só que, para o poder fazer, primeiro tenho de conhecer os protagonistas, os factos, as datas, os momentos, as conquistas, as derrotas…. Enfim, os detalhes.

E para isso preciso de recolher informação. Posso passar horas a olhar para papéis ou a navegar na internet. Posso ler entrevistas ou ouvir testemunhos. Posso procurar provas do que aconteceu ou imaginar como teria sido.

Todo este trabalho de bastidores pode ser (e é) cansativo, moroso, frustrante e até entediante. Porque não sabemos muito bem o que procuramos, porque ninguém pode confirmar ou porque não conseguimos perceber a ligação entre as peças do puzzle.

Mas quando encontramos a ponta solta, tudo se transforma. A vontade de saber mais aumenta a cada descoberta. E, de repente, a história começa a ganhar uma estrutura na minha cabeça.

É precisamente essa a fase em que me encontro neste momento.

Depois de um dia inteiro enfiada num arquivo, sem grandes resultados, um olhar mais atento para uma fotografia foi o empurrão tão necessário. De uma imagem passei para uma revista e daí para uma data.

De pesquisa em pesquisa, fui recolhendo alguma informação e confirmando outra. Aos poucos, o capítulo foi ganhando forma e conteúdo. Já sabia por onde começar e para onde me dirigir.

Ainda tenho muito para explorar e escrever. Mas agora sei que estou no caminho certo e que vai ser uma aventura daquelas bem memoráveis. Para mim e para os leitores.

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Sou uma criança adulta