Olhares que falam

“– Tia, já sei que tiraste uma carta que eu quero.

– Como é que sabes? Viste?

– Não. Mas sempre que tiras uma carta que eu preciso, fazes aquele olhar.

– Qual?

– Este [e tentou imitar-me].

– Vou estar mais atenta.”

Por esta é que eu não estava à espera. Do alto dos seus 8 anos, o meu sobrinho conseguiu, outra vez, surpreender-me com o seu olhar atento.

Jogar ao peixinho é um passatempo habitual cá em casa. Tão habitual que o mais pequeno foi estudando o meu comportamento ao longo das partidas. E, sem eu dar por ela, descobriu um dos meus pontos fracos.

O meu olhar pode ser muito expressivo, mesmo quando não quero. Mais do que as palavras ou os gestos, é através dele que reajo a situações, pessoas ou conversas.

É que comunicar é muito mais do que falar. É ouvir. É observar. É provar. É experimentar. É ler comportamentos, atitudes, valores, experiências e até erros.

Também no mundo da escrita, a comunicação não se resume às palavras, à semântica e à gramática. A emoção e a intenção da nossa escrita dizem muito mais do que imaginamos.  

Comunicar é criar ligações com os outros.

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