Processo criativo
A minha newsletter celebrou quatro anos no dia 21 de Setembro. Foram 47 edições, sem falhar um único mês. A excepção foram as pausas para as merecidas férias de Verão.
Quando me sento para a escrever, sinto-me calma e serena. Mas nem sempre foi assim. Nos primeiros tempos, tive muitos medos.
Medo de não conseguir escrever mensalmente.
Medo de não ter ideias.
Medo de não encontrar bons conteúdos para partilhar.
Medo de não comunicar com clareza a minha perspectiva.
Ou pior, medo do meu ponto de vista não ser interessante.
Pensei em desistir umas quantas vezes. Não o fiz, confesso, por teimosia e vontade de provar a mim mesma que era capaz. Agora, olho para trás e ainda bem que me mantive fiel à minha decisão.
Porque foi graças a estas cartas digitais que o meu processo criativo evoluiu. É que rapidamente percebi que tinha de me organizar e desenvolver um método para escrever com consistência.
Como?
Criei um banco de ideias que ainda mantenho e onde guardo excertos de textos, citações, imagens, receitas e listas. Recorro a ele sempre que preciso de inspiração e, de tempos a tempos, faço uma limpeza geral. Não acumulo.
Para cada edição, penso num conceito e na mensagem que quero passar aos meus leitores. E a partir daí começo a desenhar a relação entre cozinhar e escrever.
Reservo na agenda tempo para me dedicar à newsletter. Tanto posso começar e terminar o primeiro rascunho num dia, como posso apenas tomar notas numa tarde.
Depois de terminar, ‘esqueço-me’ do texto por um ou dois dias para que possamos (ele e eu) descansar. Quando nos reencontramos, a minha leitura é outra e consigo afinar o tempero com mais precisão.
Fecho a edição com tempo para evitar as correrias de última hora. Na véspera, limito-me a reler para garantir que não há gralhas e que os links funcionam.
Aos poucos fui apurando o método e tornou-se mais fácil abrir as portas da minha cozinha. Claro que os imprevistos acontecem e nem sempre sigo este passo a passo. Mas agora sei como me reorganizar.