Sou uma criança adulta
“– És uma criança ou uma adulta?
– O que é que tu achas?
– Não sei. Pareces uma adulta, mas o teu relógio tem bonecos.
– Os adultos não usam relógios com bonecos?
– Não.
– Gostas do meu relógio?
– Sim. É muito giro.
– Eu também penso o mesmo. Por isso é que o uso.
– És uma criança adulta.”
As dúvidas do Xavier deram-me que pensar. A forma como vemos o mundo reflecte a forma como compartimentamos tudo e mais alguma coisa.
À medida que crescemos, vamos interiorizando normas e moldando o nosso gosto. Sentimos a necessidade de nos encaixarmos. Deixamos de provar, vestir, fazer, falar ou até agir de uma determinada maneira. Porque não se adequa à nossa idade, à nossa profissão, ao nosso “estatuto”…
O meu relógio amarelo com o Charlie Brown baralhou o pequenote de 5 anos, porque eu fugia à (sua) regra. Mas ele lá acabou por encontrar uma resposta que o sossegou.
Às vezes, a minha escrita também foge às regras. Porque quando comunicamos a nossa mensagem não temos obrigatoriamente de seguir a estrutura, o padrão ou a fórmula que todos utilizam ou que é suposto usarmos.
A linguagem e as palavras têm de ser trabalhadas de acordo com a personalidade da pessoa, da marca, do negócio ou do projecto. É essa escrita com um twist que permite valorizar o conteúdo.
São os detalhes que fazem a diferença. O Xavier já descobriu.