Poesia
Na escola, adorava as aulas de Português. A descoberta dos nossos autores. A leitura das obras, mais ou menos conhecidas.
Aquele mundo literário era fascinante. Palavras e frases com (muitos) anos de vida, que me permitiam viajar no tempo. Voltar ao passado e tentar compreender a época, a realidade, o movimento artístico. Era um desafio, ainda maior quando a eleita era a Poesia.
Poetas e poetisas eram adversários de peso. A excitação de explorar textos tão sensíveis e pessoais era apelativa. Ao mesmo tempo, a ‘obrigatoriedade’ de (re)interpretar sentimentos e pensamentos era limitativa. Dar um nome, atribuir um significado ou até uma intenção ao conteúdo de outra pessoa. Tudo com base em manuais e ‘regras’ de terceiros.
Para mim não fazia sentido aquela forma de ‘aprender’. Os poemas despertavam em mim sensações. Ouvia, via, sentia, cheirava e até provava as palavras que lia. Era a minha criatividade a fazer das suas.
Depressa, percebi que nos exames devia cingir-me à matéria leccionada, para garantir boas notas. Mas alimentei sempre o meu apetite pela Poesia. Queria mais do que as linhas orientadoras de ‘entendidos’. Queria ler os poemas à minha maneira. Queria entendê-los à minha maneira. Foi o que fiz e é o que tenho feito.
Nas palavras de Natália Correia, “a poesia é para comer”. E se for à nossa maneira, sabe ainda melhor.