Tempo é qualidade
Estão por todo o lado. Nas prateleiras dos supermercados. Nas mercearias online. Nas cozinhas de amigos e familiares. Chegaram e conquistaram muitas bocas e paladares.
Os famosos preparados para bolos, mousses, tortas, panquecas, pães e afins são o meu mais recente “ódio de estimação”. “Pozinhos” mágicos aos quais só temos de adicionar os líquidos, de acordo com as instruções na embalagem. E depois forno.
Confesso que não consigo compreender (e aceitar), mas é vida moderna. Dizem-me que são saborosos e praticamente idênticos aos tradicionais. Não acredito. E não o digo por orgulho ferido, mas porque tenho conhecimento.
Quando faço, por exemplo, um bolo, não me limito a seguir a receita. Penso na ocasião e nos comensais. Escolho os ingredientes. Peso e meço tudo com atenção e cuidado. Releio as instruções. Controlo o forno.
Até o prato para servir é pensado, porque os olhos também comem. Todo este processo demora tempo, o tempo necessário para uma execução com qualidade. Aqui não se saltam etapas, nem encurtam passos.
Não há pozinhos de perlimpimpim, nem resultados imediatos. A minha cozinha não é feita de fórmulas, nem de misturas instantâneas. Tal como a minha escrita.
Sou uma escritora tradicional, na essência. Cada projecto recebe a minha total dedicação e disponibilidade. Os meus textos são escritos a pensar nos seus leitores e não em toda a gente. A mensagem é trabalhada ao detalhe.
No prato e na folha não apresento conteúdos imediatos. Uso o tempo a meu favor, porque valorizo a qualidade.