Refrescar a escrita
Fazer diferente não é necessariamente inventar algo novo. Mas é isso que muitas pessoas e muitos clientes pensam e exigem. Querem os famosos conteúdos “fora da caixa” que agradem ao “dono disto tudo” (vulgo algoritmos).
A pressão para ter aquela ideia que ainda ninguém teve. O stress para criar aquele conteúdo viral que vai andar na boca de todo o mundo. São na verdade obstáculos à criatividade.
Clientes e criadores, todos nós nos esquecemos que a roda já foi inventada. Mas podemos e devemos recriar e reaproveitar conceitos, ideias e até conteúdos. Tudo sem negligenciar a criatividade e o toque humano.
Como?
Eu tento parar e olhar para a informação que quero comunicar. Procuro uma perspectiva diferente para a partilhar com os leitores. Um ponto de vista que se mantenha fiel aos valores e princípios originais, mas com um twist.
Para mim, faz cada vez mais sentido “refrescar” a mensagem, a linguagem e a comunicação para que elas se adaptem às necessidades e ao contexto. Só assim é possível enriquecer e respeitar a atenção e o tempo do leitor.
Quando escrevo, por exemplo, sobre as minhas experiências, os meus erros e as minhas aprendizagens diferencio o conteúdo. O que me permite uma partilha mais próxima com a qual os leitores se podem identificar.
O ritmo acelerado em que vivemos é inimigo da qualidade. A intensidade e a quantidade de informação a que temos acesso tornaram-se ruído. Às vezes, sinto que estou no meio de uma gritaria, sem saber muito bem para onde me virar.
Não quero que os meus textos sejam mais um a “gritar”. Quero que eles contribuam para uma escolha ponderada, uma opinião fundamentada ou até uma descoberta inesperada.
A busca incessante pela novidade dita as regras do jogo. Mas não sou obrigada a segui-las. Ninguém é.