Relações únicas

Sou uma tia babada dos meus sobrinhos. O Gonçalo tem 8 anos e o Pedro 3 anos. São irmãos e não podiam ser mais diferentes em termos de feitio. O que exige de mim um considerável jogo de cintura para lidar com cada um.

Acompanhei de perto os primeiros anos de vida do mais velho. Uma proximidade que nos permitiu criar uma relação muito cúmplice. Somos uma dupla imparável a fazer puzzles e a construir legos. Conversamos sobre tudo.

Conheço bem o seu humor, as suas birras, as suas preferências e até os seus medos. Sei o que dizer e fazer para que ele me ouça. A confiança é a base da nossa relação.

Quando soube que ia ser tia novamente, fiquei um pouco preocupada. Seria capaz de ter o mesmo tipo de ligação com o novo sobrinho? O facto de não estar tão presente no seu dia-a-dia acentuou as minhas dúvidas e receios.

O tempo provou-me que não teria a mesma cumplicidade com o mais novo. Percebi que tal seria impossível, porque os dois são diferentes e únicos. Aprendi a relacionar-me com o Pedro de outra forma para o cativar e ser cativada.

Desenhamos com lápis de cor e varremos o pátio com o mesmo entusiasmo com que folheamos os livros dos animais. Entre brincadeiras e amuos, descobri como o acalmar e como o fazer sorrir.

Os meus clientes não são todos iguais. Cada um recebe da minha parte a mesma atenção e dedicação, mas a forma como as comunico é diferente. Edito as minhas palavras e personalizo-as para cada projecto.

Não tenho uma fórmula ou uma matriz para relações profissionais. Não trabalho em modo sequencial.

Gosto de conhecer quem está sentado à minha frente. Gosto de ouvir e de perguntar. Gosto de esclarecer e de sugerir. Gosto de experimentar e de criar. Gosto de adaptar e de transformar.

Só assim é possível trabalhar com respeito, rigor e (bom) gosto. Só assim é possível criar relações de confiança e cumplicidade. Cada uma com o seu twist exclusivo.

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